Pantanal sofre a maior devastação de sua história

Atualizado: Mar 11


Foto: Amanda Perobelli/Reuters

O maior felino das Américas grita por socorro. Um grito cheio de dor e desespero.

A maior ave voadora da América do Sul, o tuiuiú, agora se vê impedida de alçar vôos em um céu azul e passar tempo procurando por peixes nos rios. O céu está cinza e os peixes estão morrendo. As araras azuis, que se se reúnem, ao final da tarde, em árvores para pernoitar e dependem de árvores de grande porte e velhas para se reproduzirem, estão com seus refúgios ameaçados.

Na tarde da última sexta-feira (11/09), um helicóptero da Marinha do Brasil levantou voo com um passageiro inusitado: uma onça-pintada. Durante o transporte aéreo, os olhos assustados do bicho, resgatado no Pantanal, em nada lembravam o felino destemido que costumava se aproximar dos barcos, característica que fez com que ele passasse a ser conhecido na região como Ousado.

Horas antes de entrar no helicóptero, o animal havia sido localizado por uma equipe de voluntários que auxiliam no resgate aos animais no Pantanal, que passa pelo pior período de queimadas das últimas décadas. O olhar assustado de Ousado, retratava o pesadelo em que ele se via inserido. O Pantanal, sua casa, estava sendo tomado pelas chamas.

Desde agosto tem se falado muito nas redes sociais e nos noticiários sobre as queimadas que vem acontecendo no Pantanal e na Amazônia.

A tag #SosPantanal ganhou grande visibilidade, mobilizando famosos de nível nacional e internacional a chamarem atenção das autoridades competentes para a causa.

O Pantanal teve o agosto com o segundo maior número de queimadas de sua história, desde o início do monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998. Foram 5.935 focos de calor detectados de 1º a 31 de agosto. Segundo Felipe Augusto Dias, diretor-executivo da ONG SOS Pantanal, em Campo Grande, a origem dos focos de incêndio, são de ações humanas. Além disso, nesta época do ano, a região vive o seu o período mais seco e mesmo em janeiro, na estação úmida, choveu pouco e com chuvas mal distribuídas ao longo do mês, o que também prejudicou o bioma, pois a água que vinha após os longos períodos de seca não era suficiente para encharcar o solo.

Já a Amazônia, maior bioma em território e também com o maior número de focos detectados, teve 29.307 registros de queimadas entre 1º e 31 de agosto. O dado representa uma queda de cerca de 5,2% em relação a agosto do ano passado, quando foram registrados 30,9 mil focos de calor. O número, entretanto, é 12,4% maior que a média histórica registrada para o mês, que é de 26.082 focos, e o segundo maior registrado desde 2010.

As queimadas no Pantanal e na Amazônia continuam mesmo depois de um decreto do Ministério do Meio Ambiente (MMA), publicado no dia 16 de julho - e que começou a valer na mesma data - que suspendeu por 120 dias o uso de fogo em ambos os biomas.

O texto diz que a proibição se aplica "no território nacional", apesar de determinar que "ficam autorizadas as queimas controladas em áreas não localizadas na Amazônia Legal e no Pantanal, quando imprescindíveis à realização de práticas agrícolas, desde que autorizadas previamente pelo órgão ambiental estadual".

No dia 16 de setembro, é comemorado o dia internacional da preservação da camada de ozônio. Em comunicado oficial, a ONU, Organização das Nações Unidas, pediu para a data, maior união para curar o planeta e promover um futuro mais brilhante e justo, para as próximas gerações. Preservar a camada de ozônio é preservar a vida e o meio ambiente, já que ela auxilia na manutenção da vida em nosso planeta, já que ela consegue filtrar cerca de 95% dos raios ultravioleta (UV) oriundos do Sol, impedindo que a maior parte desses raios atinja a superfície terrestre” (DIAS, 2020).

A indígena guajarara Sônia, fala no filme, “Amazônia, o despertar da floresta”, a seguinte frase que merece destaque no contexto que estamos vivendo atualmente, “Eu fico me perguntando, quando foi que a gente esqueceu, que o nome desse país é o nome de uma árvore. Que o que corre nas nossas veias não é sangue, é seiva.” A Fui espera que as medidas cabíveis para o combate às queimadas no Pantanal e Amazônia sejam tomadas pelas autoridades competentes. Todo nosso apoio e admiração aos voluntários que estão se arriscando em meio às chamas para salvar os animais e apagar o fogo. Desejamos para esse dia internacional da preservação da camada de ozônio, mais amor e respeito para com nossa fauna e flora, que todos tenhamos consciência da importância da preservação do nosso bioma, do lar de nossas onças pintadas.

Publicado por Fui / Gabriela Castro

Imagem: Funcionários de uma fazenda são vistos próximos ao fogo em uma fazenda no Pantanal, em Poconé (MT) — Foto: Amanda Perobelli/Reuters

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