A pandemia de cyberbullying durante a pandemia do coronavírus

Atualizado: 22 de Out de 2020


O bullying é uma forma de agressão física, verbal e psicológica que se mostra sistemática e contínua, fazendo com que um indivíduo ou um grupo ataque sistematicamente uma vítima com base em sua aparência ou no seu comportamento, que em geral não está enquadrado no padrão de normalidade estabelecido pelo grupo social. O cyberbullying, por sua vez, é a extensão da prática do bullying do ambiente físico para o plano virtual.

Enquanto o bullying entre adolescentes é largamente praticado no ambiente escolar, o cyberbullying ultrapassa qualquer fronteira física, tirando da vítima qualquer possibilidade de escapar dos ataques, que acontecem o tempo todo por meio, principalmente, das redes sociais e dos aplicativos de mensagens. A FUI é totalmente contra qualquer forma de agressão e intimidação seja na vida real ou na internet. Para ilustrar-mos melhor o que é o cyberbullyng e quais são suas consequências na vida das vítimas, trouxemos uma simulação de um acontecimento, confira.

Emily é uma garota comum de 16 anos. Comum porque ela tem sonhos como todos nós. Quer estudar, se realizar profissionalmente, conhecer diversos países, ajudar comunidades do bairro onde cresceu. Emily também é comum porque assim como todos nós, enfrenta problemas. Problemas na escola, afinal de contas ela é uma adolescente. Problemas na família, porque famílias são feitas de pessoas e pessoas tem problemas. Problemas existenciais, porque acontece de às vezes a gente não saber bem o porquê de estarmos neste mundo e qual é exatamente o nosso propósito. Enfim, problemas!

Emily namora Rafael, um adolescente que estuda na sala ao lado da sua na escola. Rafael tem 17 anos e assim como os adolescentes da sua idade, está na fase de querer iniciar a vida sexual. Mesmo que os pais já tenham o aconselhado sobre o assunto, a pressão social, vinda principalmente dos colegas que já tiveram sua primeira experiência, faz com que Rafael decida ter uma conversa com Emily.

A adolescente não está com pressa. Prefere esperar, mas não quer desagradar o namorado e tem medo de perdê-lo e não encontrar outra pessoa. Ela acaba cedendo.

O que Emily não sabia é que Rafael deixaria a webcam do local ligada, porque, por pressão dos “amigos”, ele deveria filmar tudo para provar. Provar que conseguia. Provar que poderia fazer parte do grupo. Provar.

O que Rafael deveria saber é que o vídeo poderia se espalhar. E uma vez espalhado, não daria para interromper a divulgação e muito menos as consequências devastadoras. E assim aconteceu. O vídeo se espalhou nas redes sociais por meio do WhatasApp. A intimidade de Rafael e Emily se espalhou. Assim como a sua dignidade e a sua honra.

O vídeo afetou a reputação diante da família e dos amigos. Afetou a saúde emocional. Afetou o sono. Afetou o bem-estar. Afetou a paz. Afetou a vida. Afetou os sonhos e os planos.

E já que afetou tudo e Emily se viu perdida e sem saída, ela preferiu tomar uma decisão e anunciar nas redes sociais, onde viu seu futuro se esvair, a sua morte. “Daqui a pouco tudo estará acabado!” Essa foi a frase que Emily utilizou para se despedir.

Ela foi encontrada morta em seu quarto, enrolada no fio da chapinha de cabelo.

Partes dessa história são reais e partes são fictícias, mas as práticas de agressão moral na internet, também conhecidas com cyberbullying são muito reais e, durante a pandemia, cresceu de uma forma assustadora.

Segundo um estudo realizado em Portugal e divulgado pelo jornal Público, mais de 60% dos jovens foram vítimas de cybergullying na pandemia, envolvendo insultos, partilha de fotos íntimas e incitações ao suicídio.

Com o fechamento das escolas por conta da pandemia, durante três meses em Portugal, os investigadores quiseram saber a que ponto o ensino mediado por ecrãs tinha deixado os alunos mais expostos ao cyberbullying. Para além das horas utilizadas com a telescola ou nas plataformas de comunicação com os professores, 44,7% dos inquiridos, com idades entre 16 e 34 anos, afirmaram ter passado por volta de seis horas por dia navegando nas redes sociais (94,8%), ou em sites como o YouTube (72,6%). Do total de entrevistados, 61,4% disseram ter sido vítimas de cyberbullying pelo menos algumas vezes durante este período.

Mais surpreendente do que este número, são as respostas de quem comete a agressão. Da amostra, 41% assumiram terem agredido alguém online e, quando questionados sobre os sentimentos ocasionados por esta ação, 29% mostraram-se indiferentes ao sofrimento causado e 9,1% declararam ter sentido alegria.

Quando questionados sobre suas motivações, 41,1% responderam ter feito por brincadeira, 23,9% relataram a necessidade de vingança devido a episódios anteriores e 10,2% afirmaram ter praticado a agressão para se afirmarem perante os colegas.

Uma das investigadoras do estudo, Raquel António, alerta sobre a necessidade de se trabalhar a empatia e a tolerância: “aquilo que eles escrevem nas redes sociais tem impacto nos outros”, “é importantíssimo trabalhar a empatia, a gentileza, a tolerância e o respeito, não só na escola mas também em casa, onde os pais devem estar atentos ao que os filhos escrevem online e promover uma utilização segura dos dispositivos tecnológicos”.

Ao tratar desse assunto, especialmente no mês em que se fala sobre combate e prevenção ao suicídio, percebemos o quanto é importante estar alerta às nossas ações e à nossa fala na vida real e no mundo virtual. O nosso limite termina quando começa o do outro. A Fui apoia esta causa e defendemos severamente que a internet e todos os aparatos tecnológicos sejam utilizados de maneira responsável. Afinal de contas, estamos lidando com vidas. E vidas importam. Todas!

Para evitar o perigo de manipulação dos jovens na internet, a orientação e vigilância dos pais torna-se muito importante. Isso previne que eles sejam vítimas de agressores que buscam alvos fáceis para a prática de crimes virtuais. A FUI reforça que a vítima de qualquer agressão nunca é culpada por seu sofrimento. Procure ajuda e denuncie se for vitimado por alguma agressão ou ameaça virtualmente.

Publicado por Fui / Verônica Jellifes Foto: Freepik

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